feminismo

Mulheres no trabalho: as desigualdades ainda existem, vamos mudar esse quadro (parte 1)

Dados fresquinhos do IBGE (31 de outubro de 2014) revelam: mulheres brasileiras ainda recebem apenas 68% do que eles ganham. Isto é, quando eles ganham R$ 10,00, elas ganham R$ 6,80. Fazendo mais algumas contas, isso significa que elas precisam trabalhar 171 dias a mais para ganhar o mesmo que homens.

Essa é a parte ruim: ainda existe desigualdade de gênero no mercado de trabalho no Brasil. E de raça também, antes que eu me esqueça: de acordo com a pesquisa, metade das mulheres pretas ou pardas do Nordeste ganha menos de um salário mínimo. Leia a pesquisa Estatísticas de Gênero 2014 do IBGE na íntegra.

A parte boa é que, entre 2000 e 2010, o rendimento delas aumentou em 12%, enquanto o deles aumentou 8%. Isso quer dizer que estamos caminhando em direção à igualdade de gênero. E todo o esforço que pudermos fazer em busca de uma maior conscientização desse valor que é a equidade de gênero e raça é bem vindo e está gerando mudanças positivas e mensuráveis.

E como é que a gente caminha para essa eqüidade? Nós, mulheres, sabemos que nem todos os gestores de empresas estão preparados para a realidade de que podemos sim, pedir aumento e o obter. Ainda existe muito preconceito em relação às atitudes de mulheres que querem ascender profissionalmente.

Mesmo em empresas fora do Brasil, que em teoria são mais avançadas, não existe a equidade. O CEO da Microsoft Satya Nadella sofreu uma grande quantidade de críticas ao insinuar que “as mulheres que trabalham no mercado de tecnologia não devem pedir aumento de salário e ter fé no “sistema”. O executivo recuou e pediu desculpas após essa infeliz declaração que minimiza este sério problema que envolve ainda muitas nações ditas civilizadas.

Muitos são os fatores que levam a essa falta de equidade de gênero e raça no mercado de trabalho. Arrisco-me a dizer que a maior parte deles se refere às diversas visões culturais que as pessoas têm da mulher (e da mulher negra, indígena, estrangeira…): de que ela deve ser dócil, trabalhar por amor e não por dinheiro, de que ela é “naturalmente menos capaz em exatas” e entre outras percepções. Seja qual for a desculpa utilizada para manter esse quadro desigual, é preciso desconstruir essas “desculpas”.

É preciso, acima de tudo, que cada mulher, independentemente de sua classe, cor, raça ou origem, se sinta plenamente capaz e merecedora de sucesso. Somente a conscientização de muitas mulheres será capaz de fazer os homens se corrigirem em público, como fez o CEO da Microsoft. E para contribuir com essa causa, vou preparar uma série de 10 posts sobre esse assunto. Só peço que não me cobrem tudo de uma vez, vou fazendo no meu tempo e a gente vai conversando, mudando essa realidade!

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2 pensamentos sobre “Mulheres no trabalho: as desigualdades ainda existem, vamos mudar esse quadro (parte 1)

  1. Pingback: Mulheres no trabalho: redução de jornada sem diminuição de salário (parte 3) | Luz do Cerrado

  2. Pingback: Mulheres no trabalho e os possíveis impactos das medidas provisórias 664 e 665 (parte 4) | Luz do Cerrado

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