feminismo/Movimentos Sociais

A revolta da lâmpada e o direito de existir

Aconteceu em novembro de 2010: três jovens foram atacados com lâmpadas fluorescentes na Avenida Paulista em São Paulo(SP). O motivo da selvageria? Os jovens eram gays.  Como forma de reagir à homofobia, movimentos LGBTs e feministas vão realizar, no próximo domingo (16 de novembro), na mesma avenida, às 16h, a “Revolta da Lâmpada” – uma manifestação política com direito à fervo (música, dança e diversão) e expressões artísticas. Segundo os organizadores, a lâmpada fluorescente virou um símbolo da opressão não só aos LGBTs, mas a todos os corpos percebidos como inadequados pelo modelo hegemônico.

O que é esse movimento? Os organizadores responderam lindamente, vale transcrever:

“a revolta da lâmpada é uma revolta pela liberdade de todo corpo.
o corpo que é ~lampadado~ literal ou metaforicamente por ser como se é e utilizado como se deseja.
o corpo que veste a identidade de gênero que se assume, e adaptável a outras.
o corpo que se mexe, ama, fala, fode, beija, toca ou se transforma de jeitos diferentes, à margem das hegemonias do mexer, do amor, da fala, da foda, do beijo, do toque ou da transformação.
o corpo que questiona a norma, que não precisa se moldar a um padrão, que não pede VIP pro opressor para entrar na boate que ele frequenta.
o corpo que aborta.
o corpo violentado por andar livre.
o corpo transformado, cuja forma ~original~ não representa a pessoa que carrega.”

A lista de reivindicações é longa – cabe direito ao aborto, cabe o kit escola sem homofobia, cabe a Lei da Identidade de Gênero Nacional – e às vezes pode ser difícil compreender a dimensão das coisas que estão sendo reivindicadas. Então resolvi registrar neste post um pressuposto básico que qualquer pessoa pode entender: o que nós LGBTs, feministas e “diferentes” em geral queremos é cuidar do nosso direito de existir.

E aqui me somo à esse manifesto, ainda que virtualmente: nós não somos obrigados a aceitar a violência que nos é dirigida. Não somos obrigados a conviver com o atual nível de violência que é dirigido contra nós e que, sabemos, em grande parte nasce da ignorância e da não aceitação dos nossos corpos, experiências, vivências. Não somos menores – e nem maiores do que ninguém. Não precisa ser feminista nem LGBT para se somar à essa luta – se para você, a luta pela existência é uma luta digna, então respire fundo e tente compreender as reivindicações.

Antes de discordar delas, seria bom tentar compreender minimamente o que está sendo reivindicado. A questão é de vida ou morte. Pode um homossexual ou pessoa trans* ou mulher continuar vivendo com as escolhas que eles fazem em relação aos corpos deles? Qual é a necessidade de se punir – real ou metaforicamente – aqueles que, no limite, fazem o que querem com seus corpos?

E se você olhar a pauta e começar a discordar demais eu digo, vamos lá, como você  acha que é possível combater a homofobia? Qual é a sua receita? Ou não é pra combater a homofobia? Quer dizer que é isso mesmo, é aceitável pessoas agredirem LGBTs porque isso… é o que elas merecem? É o inevitável? As mulheres precisam continuar morrendo em abortos clandestinos? É o que elas merecem? É o inevitável? Quem “escolhe ser diferente” tem mais é que “aguentar as consequências”?

O movimento está aí mostrando que calados não ficaremos. E parados também não: continuaremos dançando.

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