religiosidade

Religiosidade: uma busca ou um encontro?

Toda quarta-feira vou abordar algum tema ligado à religiosidade nesse blog. Como esse é o primeiro post dessa série, acho que vale compartilhar um breve histórico: nasci e cresci no ateísmo. Minha família nunca me obrigou a frequentar nenhum culto. Depois que fui ficando adolescente, tive uma fase agnóstica (que não durou muito tempo) e em seguida fui abraçando a religiosidade aos poucos, tentando meditar, por exemplo.

Em resumo temos o seguinte: até onde minha memória alcança, sempre tive curiosidade natural por religiões, mas era intelectual. O salto para a fé ocorreu num dia em 2000 em que a amiga do meu então namorado começou a ouvir o que seria o meu “guia” (ela dizia ser meu guia protetor espiritual) e a me transmitir fatos precisos da minha vida particular que ninguém poderia saber… E ainda me ofereceu sábios conselhos (ditados pelo “meu guia”, evidentemente).

Lembro que minha primeira reação foi chorar muito. Como uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida poderia saber tanto sobre coisas que fiz na manhã daquele dia? Cadê o conceito de privacidade? Quem seria esse guia? Aí me caiu a ficha de que, de certa forma, todos estamos interligados, não estamos sozinhos, tem alguma coisa aí que o ateísmo ou não explica ou desconhece.

DSC03132

Para uma pessoa criada no ateísmo (como eu era até então) era uma coisa muito inacreditável. Eu não poderia aceitar aquele episódio como uma simples coincidência – eram muitos detalhes corretos. Perguntei para a amiga do meu então namorado se ela era espírita (era o que eu conhecia na época) e ela me informou que não, que não precisava de Kardecismo, que ela já estava acostumada com a própria mediunidade e convivia relativamente bem com aquele “dom”.

No meio desse choque passei a sentir necessidade de desenvolver uma religiosidade. Na época, decidi frequentar uma casa Kardecista muito acolhedora, com pessoas super abertas – lembro que eles até convidaram uma palestrante para falar sobre a Umbanda. Foi um período muito enriquecedor, e até hoje sou grata por tudo o que aprendi naquele momento, com aquelas pessoas. Estava me preparando para servir na casa, dar passes e coisa e tal, quando mudei de cidade.

E aí parei de frequentar centros. A mudança de cidade (e tudo o que vem junto além da mala com as roupas) me absorveu de tal forma que eu não consegui me dedicar a essa religiosidade aflorada. Até tentei procurar casas espíritas aqui em Brasília – mas me assustei com o tamanho enorme delas – fiquei intimidada! Até as frequento esporadicamente e elas me ajudam, mas não houve uma afinidade grande o suficiente para eu me ligar a alguma delas, a ponto de me preparar dentro delas para servir. Praticamente parei de rezar, parei de cuidar desse lado, enfim.

E hoje, dez anos depois de ter me mudado para Brasília, a busca por espiritualidade está me levando a conhecer terreiros de Umbanda e Espiritualistas no geral, não necessariamente Kardecistas. Se alguém me perguntar a razão por querer procurar especificamente essas linhas, não sei dizer. Mas desconfio que a riqueza das histórias, batuques e sincretismo da Umbanda é algo que tem me encantado demais. No final, a gente não busca uma religiosidade: ela está na gente e a gente se encontra nela. É uma questão de reconhecimento – quando a gente se dá conta, estamos trabalhando nossa religiosidade. E fim.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s